sábado, 17 de abril de 2010

Aula Magna com Marina Silva

Aula Magna com Marina Silva
Tema: Brasil Sustentável

Após expectativa entre alunos, convidados, mídia e autoridades houve uma movimentação e durante uma salva de palmas adentrou o Salão do Anfiteatro uma mulher com aproximadamente 1,60 metros, com aparência frágil e com semblante confiante. A Senadora Marina Silva passou muito humilde sem grande equipe de seguranças como esperado para uma pessoa de sua importância.
Apresentações feitas com uma breve leitura de seu Curriculum e de um resumo de sua trajetória foi dado o início da Aula Magna.
O primeiro comentário foi de que os resultados obtidos são resultantes de acordo com a direção seguida, uma alusão às escolhas de nossos dirigentes e de nossas atitudes em um contexto de crise ambiental vivido hoje.
As causas da crise ambiental são entre outras, diretamente relacionadas à Revolução Industrial. Apesar de resultados positivos como estudos de novas tecnologias e incremento de produtividade, temos também resultados negativos como perda de biodiversidade, perdas no potencial hídrico (temos apenas 0,6% de água potável no mundo e somente o Brasil possui 11% deste montante – Brasil é um grande produtor de águas), contaminação de solos e aumento de temperatura.
Aproveitando este último ponto, existe influência da Revolução Industrial no incremento da emissão de CO2. Em épocas anteriores havia uma tendência de que países em desenvolvimento liberavam menos CO2 que países desenvolvidos devido à concentração de indústrias e atividade das mesmas. Hoje temos dados que indicam o Brasil como o 5° colocado e que a China disputa com os EUA a 1º posição na emissão do gás. Vale lembrar que a produção per capta projeta os EUA como 1º colocado visto que a relação é de 1 americano para cada 25 chineses.
Agravantes devido às alterações climáticas são denominados como “Acontecimentos Extremos” e podem ser exemplos: inversão térmica, ocorrência de furacões, chuvas anormais e desertificação por exemplo. Mesmo estando vivendo estes acontecimentos temos uma grande inércia para a preparação devido às alterações climáticas.
Em relação à sustentabilidade foi citada uma comparação ideológica entre os ocidentais e a tribo dos Massai (Quenia). Enquanto os ocidentais exteriorizam que” precisamos deixar a terra o melhor possível para as próximas gerações”, os Massai por sua vez entendem que “estamos tomando a terra emprestada das futuras gerações, logo temos de devolver em condições iguais ou melhores que quando tomamos emprestada”.
Enquanto que temos mais divulgados os conceitos de Sustentabilidade Econômica, Sustentabilidade Social e Sustentabilidade Cultural a Senadora explicou termos utilizados por ela como:
- Sustentabilidade Estética – como sendo uma maneira de se manter o ambiente equilibrado, preservado e natural, tendo ainda relacionado ao ufanismo para enfatizar o orgulho brasileiro;
- Sustentabilidade Política – formação de consciência ambiental madura a ponto de serem criadas políticas e Leis com a finalidade de preservação ambiental.
- Sustentabilidade Ética - conscientização para que os conceitos éticos sejam empregados e deixem de ser apenas tema de estudos(“O Ser Humano é o único animal a tomar decisões com o potencial de basear-se nos conceitos de ética”).
Visto que estamos em um meio bastante dinâmico onde ocorrem mudanças de conceitos e realidades a Senadora citou uma frase “A realidade responde na língua em que é perguntada”. O intuito foi de se comentar sobre a alteração na realidade e nos conceitos seja em diferentes regiões, seja em diferentes épocas. O exemplo utilizado foi a das fontes energéticas com a seguinte comparação:
- na década de 80 quais seriam as fontes de energia mais interessantes? A resposta seria carvão, petróleo, hidrelétricas.
- em 2010 quais seriam as fontes de energia mais interessantes? A resposta hoje é energia eólica, solar, biomassa.
Sobre a organização e processos foi comentado que no Século XXI, os processos deverão ser sempre na forma de co-autoria, baseando sempre em conhecimentos multicêntricos para questões multicêntricas.
Finalizando, a Senadora contou uma estória sobre conhecimento empírico, sobre pesquisadores, estudiosos que por pensarem saber de tudo sobre a bacia amazônica foram informados por um morador local (de baixa tecnologia e recursos) sobre a melhor localização da base para a equipe mas que estes não deram ouvidos e posteriormente foram surpreendidos por uma chuva torrencial que não foi informada em sites meteorológicos, ao se questionar o morador este comentou que foi necessário apenas observar atividades naturais que escaparam da vista dos estudiosos(formigas).
Gostaria de pronunciar que foi uma excelente oportunidade e que não somente nós, alunos ficamos muito satisfeitos, mas todo o Corpo Docente da FADI mostrou-se extremamente satisfeito com a aula e presença da Senadora Marina Silva.
Parabenizo e louvo a equipe do C.A. que teve grande participação para a realização do evento de hoje.
Att.
Carlos Sussumu Nakajima.

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